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A CAMINHADA LGBTQIAP+:
DA EXISTÊNCIA À RESISTÊNCIA
A EXISTÊNCIA É UM ACONTECIMENTO
TEXTO: JEFFERSON VALENTE OLIVEIRA E VICTÓRIA BORGES


André Guian
As marcas de uma agressão sofrida em 2018, quando andava pelo bairro Presidente Kennedy, ainda estão no corpo de André Guian, 26 anos, homem trans, pai, morador da Sapiranga. Na época, a lei que criminaliza a homofobia e a transfobia no Brasil, ainda não tinha sido aprovada. Ele chegou a buscar apoio da polícia, mas não encontrou.
Segundo André, os policiais não fizeram questão de falar com ele direito, alegando que era só mais um “viadinho”. André define que ser LGBT no Brasil: “É resistir para existir, é levantar essa bandeira, é compartilhar minhas vivências. É dizer que eu estou aqui, que eu me faço presente”.
As questões do resistir para existir também fazem parte do pensamento de Emilly Alves, 23 anos, travesti, moradora do Siqueira, que afirma receber olhares de negação e assédio ao andar pelas ruas do seu bairro. “Será que eu to errada, será que eu to mal vestida, será que essa eu, Emilly Alves, é só coisa da minha cabeça, será que eu sou louca?”. Segundo ela, as pessoas não sabem como tratá-la nas ruas, nos comércios e ela precisa reafirmar os pronomes nos quais se sente confortável em ser tratada: ela/dela.
Emilly Alves
Imagem: Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Emilly diz que chega a evitar algumas ruas para fugir dos olhares. Assim, o bairro, que para muita gente é lugar de abrigo, passa a ser lugar de exercício de preconceito. Pois está localizado dentro de um dos Estados que mais mata a comunidade Lgbtqiap+. Em 2021, o Ceará ficou em segundo lugar no Nordeste com mais registros de mortes violentas desse público. Em relação às pessoas trans e travestis. Os dados são alarmantes. E Emilly declara: “Eu estou no pódio, eu tô lá em cima, posso morrer em qualquer saidinha minha”.
CEARÁ
2017
TERCEIRO ESTADO COM 16 CASOS
2018
quarto ESTADO COM 13 CASOS
2019
segundo ESTADO COM 11 CASOS
2020
SEGUNDO ESTADO COM 22 CASOS
2021
quarto ESTADO COM 11 CASOS
ASSISTÊNCIA

Para atender às vítimas de violência e atuar diretamente na defesa dos direitos da população Lgbtqiap+, foi criado o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra (CRLGBTJD) em 2005, atualmente está alocado no Centro de Fortaleza. A instituição oferece diversos serviços, como por exemplo, atendimento psicossocial e atividades socioeducativas. Além de atender vítimas de violência e de violação de direitos, como explicou a advogada Ana Carolina Nunes, que presta serviços jurídicos às vítimas.
O perfil das pessoas que mais buscaram atendimento na instituição mostram um retrato do preconceito. A maior parte das vítimas são pessoas trans, pessoas pretas e pardas e moradores de 28 bairros localizados nas regionais 6 e 11, todos da periferia de Fortaleza. A retificação de prenome e gênero e situações de violência psicológica e moral lideram o número de atendimentos.







